Saúde Sexual

Líbido

A líbido - ou desejo sexual - é um estado motivacional complexo, modelado por hormonas, neurotransmissores, fatores psicológicos e contexto relacional, que varia naturalmente ao longo da vida.

A líbido, do latim "desejo" ou "anseio", é o termo clínico para o desejo sexual. No discurso popular, é frequentemente tratada como uma espécie de termóstato biológico com um valor fixo - alto ou baixo - mas a ciência revela uma realidade muito mais nuançada. A líbido é um estado motivacional multidimensional com raízes biológicas, psicológicas e relacionais que interagem continuamente.

A nível neurológico, o desejo sexual é primariamente governado pela via dopaminérgica mesolímbica - o mesmo circuito de recompensa ativado por outras motivações básicas como a fome e a curiosidade. A dopamina é a principal molécula do desejo: é libertada em antecipação do prazer, criando o impulso para a aproximação e a exploração sexual. O hipotálamo - particularmente os núcleos que regulam a libertação de hormonas sexuais - tem um papel central na modulação da líbido.

A nível hormonal, o estrogénio e a testosterona são os esteroides mais implicados na líbido feminina. O estrogénio promove a lubrificação vaginal, a sensibilidade genital e a capacidade de resposta sexual, e os seus níveis correlacionam-se com o desejo ao longo do ciclo menstrual - com um pico típico nos dias que antecedem a ovulação. A testosterona contribui para o desejo, mas uma revisão crítica publicada na revista Hormones and Behavior conclui que os níveis circulantes de testosterona não se correlacionam de forma consistente com a líbido feminina. O cortisol - hormona do stress - suprime ativamente o desejo quando cronicamente elevado.

O modelo de resposta sexual de Rosemary Basson demonstrou que, em muitas mulheres, o desejo não precede a excitação mas surge durante ela - um padrão designado "desejo responsivo", em contraposição ao "desejo espontâneo" mais frequentemente descrito nos homens. Isto significa que a ausência de um desejo espontâneo que "surja do nada" não indica necessariamente uma disfunção: para muitas pessoas, o desejo emerge em resposta a estímulos eróticos e a um contexto relacional propício.

A líbido varia ao longo da vida de forma fisiológica e previsível: tende a ser mais intensa na juventude, pode flutuar durante a gravidez e o pós-parto, e é frequentemente afetada pela menopausa. A ansiedade, a depressão, o burnout, os conflitos relacionais e os efeitos secundários de medicamentos (nomeadamente os antidepressivos SSRI, os anticoncetivos hormonais em algumas mulheres, e os anti-hipertensores) estão entre as causas mais frequentes de redução da líbido. Reconhecer esta complexidade é o primeiro passo para uma abordagem terapêutica eficaz e despida de julgamento.

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