Saúde Sexual

Lubrificação

A lubrificação vaginal é uma resposta fisiológica à excitação sexual - um processo vascular e glandular que humidifica o canal vaginal, reduzindo a fricção e preparando o corpo para a relação sexual.

A lubrificação vaginal é, antes de mais, uma resposta vascular. Contrariamente ao que se poderia supor, a vagina não possui glândulas secretoras próprias que produzam lubrificante de forma direta. O principal mecanismo de lubrificação é a transudação: durante a excitação sexual, o sistema nervoso parassimpático desencadeia uma vasodilatação acentuada nos vasos sanguíneos da pélvis e das paredes vaginais. O aumento da pressão vascular força o plasma sanguíneo a filtrar-se através do epitélio vaginal - este filtrado é o principal componente do lubrificante vaginal. A este processo associam-se as secreções das glândulas de Bartholin e de Skene, bem como o muco cervical.

A composição do lubrificante vaginal varia com a fase do ciclo menstrual, a idade, o estado hormonal e o grau de excitação. O estrogénio desempenha um papel central: estimula a vascularização vaginal, aumenta a espessura do epitélio e promove a produção de glicogénio que alimenta o microbioma protetor. Em períodos de hipoestrogénismo - menopausa, aleitamento, uso de determinados anticoncetivos - a capacidade de lubrificação pode diminuir significativamente, causando secura vaginal e dispareunia (dor durante a relação sexual).

É importante distinguir lubrificação de excitação subjetiva. Investigações lideradas pela psicofisiologista Meredith Chivers demonstraram que existe frequentemente uma discordância entre a resposta fisiológica genital (lubrificação, congestionamento) e o desejo subjetivo reportado - fenómeno designado "discordância de excitação". Uma mulher pode lubrificar em resposta a um estímulo físico sem sentir desejo subjetivo, e pode sentir desejo intenso sem que se produza lubrificação suficiente. Esta dissociação não é patológica.

A secura vaginal é um problema clínico prevalente e subestimado. Estima-se que afete mais de 50% das mulheres após a menopausa e uma proporção significativa de mulheres em idade fértil, particularmente após o parto, durante o aleitamento, com determinados anticoncetivos hormonais ou por causas psicológicas como a ansiedade. Os tratamentos disponíveis são eficazes: hidratantes vaginais de uso regular, lubrificantes de base aquosa ou de silicone durante a relação sexual, e terapia hormonal local para casos associados a hipoestrogénismo.

O uso de lubrificante externo durante a relação sexual ou a masturbação não indica falha nem falta de excitação - é uma prática recomendada por profissionais de saúde sexual para reduzir a fricção, aumentar o prazer e prevenir microlesões. Os lubrificantes de base aquosa são compatíveis com todos os métodos de contraceção incluindo preservativos; os de base oleosa podem danificar o látex dos preservativos e devem ser evitados nesse contexto.

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