Anatomia
Vagina
A vagina é um canal musculomucoso elástico que liga o útero ao exterior, com funções na sexualidade, menstruação, gravidez e parto, e habitada por um microbioma essencial à saúde íntima.
A vagina é um canal musculomucoso que se estende do colo do útero até ao vestíbulo vulvar. Em estado de repouso, mede aproximadamente 7 a 10 centímetros de comprimento, mas é dotada de uma elasticidade notável - pode expandir significativamente tanto em comprimento como em largura durante a excitação sexual e durante o parto. As suas paredes são normalmente colabadas (em contacto entre si), o que frequentemente surpreende quem imagina a vagina como um espaço permanentemente aberto.
Contrariamente ao que muitos assumem, a vagina não possui glândulas secretoras próprias. A humidade e a lubrificação vaginais resultam primariamente de um processo de transudação - o plasma sanguíneo filtra-se através do epitélio vaginal por pressão vascular aumentada durante a excitação. As secreções das glândulas de Bartholin e de Skene, bem como o muco cervical, também contribuem para o ambiente vaginal. Em repouso, as secreções normais da vagina são o produto desta transudação baseline, com uma coloração que varia entre transparente e esbranquiçada - tudo isto é normal e saudável.
O microbioma vaginal é um dos ecossistemas microbianos mais específicos do corpo humano. Em mulheres saudáveis em idade reprodutiva, a vagina é predominantemente colonizada por bactérias do género Lactobacillus - sobretudo L. crispatus e L. iners - que produzem ácido láctico e outras substâncias antimicrobianas, mantendo o pH vaginal entre 3,8 e 4,5. Este ambiente ácido é essencial para inibir o crescimento de agentes patogénicos, incluindo os responsáveis por infeções sexualmente transmissíveis.
O microbioma vaginal é dinâmico e influenciado por múltiplos fatores: fase do ciclo menstrual, gravidez, menstruação, prática sexual, uso de antibióticos e métodos contracetivos. A vaginose bacteriana - a perturbação mais comum do microbioma vaginal - afeta aproximadamente 30% das mulheres em algum momento da vida. O uso desnecessário de produtos de higiene interna (duches vaginais, sabonetes perfumados intravaginais) perturba este ecossistema delicado e é contraindicado por todas as grandes organizações de saúde.
A densidade de terminações nervosas não é uniforme ao longo da vagina: o primeiro terço (o terço mais próximo da abertura) é significativamente mais inervado do que os dois terços internos - o que tem implicações práticas para a resposta sexual. As células vaginais são particularmente responsivas ao estrogénio: em períodos de baixo estrogénio (como na menopausa ou durante o aleitamento), o tecido vaginal pode tornar-se mais fino, menos elástico e mais seco, uma condição designada atrofia vulvovaginal, que é tratável e não deve ser aceite em silêncio como inevitável.