Prazer & Corpo

Orgasmo Feminino: Tipos, Como Ter e o Que a Ciência Diz

Leitura: ~15 minÚltima revisão: 18 fev 2026

Vamos começar com um número. Em 2017, Frederick e colaboradores publicaram um dos maiores estudos alguma vez feitos sobre o orgasmo — com dados de 52.588 adultos nos Estados Unidos. O resultado: 95% dos homens heterossexuais chegam habitualmente ao orgasmo durante o sexo. No caso das mulheres heterossexuais, esse número cai para 65%.

A diferença tem um nome: orgasm gap. E não é biológica. As mulheres lésbicas, no mesmo estudo, reportaram uma taxa de 86% — o que sugere que o problema não está no corpo feminino, mas no que se faz com ele. As mulheres que reportam orgasmos mais frequentes recebem mais sexo oral, mais estimulação manual, têm relações mais longas e — talvez o mais importante — comunicam o que funciona.

Este guia é sobre perceber o orgasmo feminino de verdade. Não o orgasmo dos filmes, não o orgasmo dos mitos, não o orgasmo que alguém acha que devias ter. O orgasmo real — com tudo o que a ciência sabe, o que ainda não sabe, e o que tu podes fazer com essa informação.

O orgasm gap — e porque é que importa

O orgasm gap não é apenas uma estatística curiosa. É o reflexo de um roteiro sexual que, durante décadas, tratou a penetração como o ato principal e tudo o resto como “preliminares” — uma palavra que, por si só, já revela o problema. Se algo é “preliminar”, é menos importante. E é precisamente nessa parte “menos importante” que a maioria das mulheres encontra o orgasmo.

O estudo de Frederick encontrou que os fatores mais associados ao orgasmo feminino incluem: sexo oral, estimulação genital manual, relações de maior duração, satisfação com a relação, pedir o que se quer na cama, elogiar o/a parceiro/a, telefonemas ou emails com conteúdo sexual, e experimentar novas posições.

Repara: nenhum destes fatores é biológico. São comportamentais e relacionais. O que significa que o orgasm gap não é inevitável — é o resultado de escolhas, hábitos e, acima de tudo, comunicação.

O orgasm gap não é biológico. É o resultado de um roteiro sexual que privilegia a penetração e ignora quase tudo o resto.

A taxa de orgasmo das mulheres lésbicas (86%) é particularmente reveladora. Quando o sexo não segue o guião da penetração como ato central, quando ambas as pessoas sabem o que é ter um corpo feminino, quando a estimulação clitoriana é norma e não exceção — o gap praticamente desaparece. Isto não é sobre orientação sexual. É sobre o que priorizamos.

O que acontece no corpo durante o orgasmo

O orgasmo feminino é uma resposta neuromuscular involuntária. Traduzindo: é o momento em que o sistema nervoso, depois de acumular excitação suficiente, dispara uma série de contrações rítmicas nos músculos do pavimento pélvico — tipicamente a cada 0,8 segundos, durante 20 a 35 segundos em média (embora a variação individual seja grande).

Mas reduzir o orgasmo a contrações musculares é como descrever uma sinfonia pelas vibrações do ar. O que acontece no cérebro é igualmente importante. Durante o orgasmo, há uma libertação intensa de dopamina (prazer e recompensa), oxitocina (ligação emocional) e endorfinas (alívio da dor, relaxamento). O córtex pré-frontal — a zona do cérebro responsável pelo julgamento e autocontrolo — reduz temporariamente a sua atividade. É por isso que o orgasmo envolve uma sensação de “desligar” momentâneo, de perda de controlo consciente.

A frequência cardíaca pode chegar aos 110-180 batimentos por minuto. A pressão arterial sobe. As pupilas dilatam. A pele pode ficar ruborizada — o chamado sex flush.

E, no entanto, a experiência subjetiva varia enormemente de pessoa para pessoa — e de orgasmo para orgasmo. Pode ser uma onda intensa e localizada, ou uma sensação que percorre o corpo inteiro. Pode ser breve ou prolongada. Pode ser acompanhada de vocalizações ou acontecer em silêncio absoluto. Todas estas variações são normais.

Não existe um orgasmo “correto”. A experiência é tão individual quanto a pessoa que a tem.

Tipos de orgasmo: real vs. mito

O mito que Freud criou

Antes de falar de tipos de orgasmo, precisamos de falar de Freud. No início do século XX, Sigmund Freud declarou que existiam dois tipos de orgasmo feminino: o clitoriano (que considerava “imaturo” e “infantil”) e o vaginal (que considerava “maduro” e “saudável”). As mulheres que precisavam de estimulação clitoriana para chegar ao orgasmo tinham, na visão de Freud, um problema psicológico.

Freud nunca apresentou qualquer evidência para esta teoria. Mas as consequências foram enormes. Gerações inteiras de mulheres sentiram-se inadequadas por não conseguirem ter orgasmo apenas com penetração vaginal — algo que, como veremos, é a experiência da maioria. E esta sombra ainda pesa: a ideia de que o orgasmo “vaginal” é de alguma forma superior ao “clitoriano” continua presente na cultura popular.

O que a ciência realmente diz

Em 2016, Pfaus e colaboradores publicaram uma revisão abrangente na revista Socioaffective Neuroscience & Psychology com uma conclusão clara: a distinção entre orgasmo clitoriano e vaginal é uma falsa dicotomia. O orgasmo não acontece na vagina nem no clitóris — acontece no cérebro. O que muda é a via sensorial que o desencadeia.

Porque é que isto importa? Porque o clitóris é um órgão muito maior do que aquilo que se vê. A parte visível — a glande — é apenas a ponta. Helen O’Connell, uróloga do Royal Melbourne Hospital, foi a primeira a mapear toda a estrutura do clitóris através de dissecção anatómica detalhada no final dos anos 90, complementando esse trabalho com ressonância magnética em 2005. Os bulbos e as cruras (raízes) do clitóris estendem-se entre 5 a 9 centímetros internamente, envolvendo a vagina e a uretra.

Buisson e Foldès confirmaram em 2009, com ecografia em tempo real, que a raiz do clitóris se desloca em direção à parede vaginal durante a penetração. Ou seja: muito do que se chama “orgasmo vaginal” é, na realidade, estimulação interna do clitóris. A anatomia não separa — está interligada.

Os dados de Herbenick e colegas (2018), com 1.055 mulheres, reforçam esta ideia: apenas 18,4% das mulheres chegam ao orgasmo apenas com penetração vaginal. O grupo mais numeroso — 36,6% — precisa de estimulação clitoriana durante a relação para chegar lá. E 36% das participantes disseram que os orgasmos são melhores quando há estimulação clitoriana simultânea. Isto não é uma limitação. É anatomia.

Experiências diferentes, todas válidas

Dito isto, a forma como cada pessoa experiencia o orgasmo é genuinamente diferente. Não porque existam “tipos” hierárquicos, mas porque o corpo tem múltiplas vias sensoriais:

  • Estimulação clitoriana externa — a via mais comum e mais fiável para o orgasmo feminino. É a que funciona para a maioria das mulheres, e não há absolutamente nada de “básico” ou “imaturo” nisso.
  • Estimulação vaginal / zona do ponto G — envolve pressão na parede anterior da vagina, onde o clitóris interno e a esponja uretral convergem. Algumas mulheres têm orgasmos por esta via; muitas precisam de combiná-la com estimulação externa. Temos um guia completo sobre o ponto G que explora esta zona em detalhe.
  • Orgasmo misto (blended) — combinação simultânea de estimulação clitoriana e vaginal. É frequentemente descrito como mais intenso, mas não é “melhor”. É diferente. Mais uma opção no menu.
  • Orgasmos múltiplos — algumas mulheres conseguem ter orgasmos seguidos, sem período refratário ou com um período muito curto. Não é uma capacidade universal, e não precisas de a ter para que a tua experiência sexual seja completa.
  • Outras vias — mamilos, ânus, colo do útero e até estímulos puramente mentais podem desencadear orgasmos em algumas pessoas. O corpo tem mais caminhos do que a maioria imagina.

A mensagem central é simples: pára de categorizar e começa a explorar. O orgasmo é o orgasmo. A forma como lá chegas é assunto teu.

Porque é que o orgasmo nem sempre acontece

Se o orgasmo nem sempre acontece, isso não significa que há algo errado contigo. Significa que o orgasmo é o resultado de uma equação complexa — e basta uma variável estar desalinhada para que a equação não funcione naquele momento.

Fatores psicológicos

Stress, ansiedade, preocupações com a imagem corporal, pressão para “ter de chegar lá” — tudo isto compete pela mesma atenção que o prazer precisa. E existe um paradoxo cruel: quanto mais te esforças para ter um orgasmo, mais difícil se torna. O orgasmo precisa de uma espécie de rendição — e a rendição não combina com esforço.

Investigadoras da UCLouvain, na Bélgica, estudaram a relação entre mindfulness e orgasmo em 251 mulheres. O resultado: as mulheres anorgásmicas reportam significativamente mais distração cognitiva durante o sexo. O mindfulness durante a atividade sexual explica 54% da variabilidade no distress sexual. Por outras palavras: estar presente — não a avaliar, não a julgar, apenas a sentir — é um dos maiores preditores do orgasmo.

Fatores físicos

Medicação é, provavelmente, a causa física mais comum e menos discutida. Os antidepressivos SSRI (sertralina, fluoxetina, paroxetina) afetam diretamente a resposta sexual — incluindo o orgasmo — em até 70% das pessoas que os tomam. Se começaste um antidepressivo e o orgasmo ficou mais difícil ou desapareceu, não é a tua cabeça. É o medicamento. E é algo que podes discutir com o teu médico.

Alterações hormonais (contraceção hormonal, pós-parto, menopausa), disfunção do pavimento pélvico e condições crónicas como diabetes ou esclerose múltipla também podem afetar a resposta orgásmica.

O guião sexual limitado

Muitas mulheres não têm orgasmo simplesmente porque a estimulação que recebem não é a que o corpo precisa. Quando o sexo segue o roteiro de “beijos → alguma estimulação manual → penetração → fim”, estamos a ignorar o que a ciência nos diz sobre como o corpo feminino responde. A penetração sozinha não é suficiente para a maioria das mulheres. Isso não é uma falha de ninguém — é apenas informação que nos faltava.

Quando o desejo não vem primeiro

Há um modelo que merece ser conhecido. Em 2000, a médica especialista em medicina sexual Rosemary Basson propôs que a resposta sexual feminina não é uma linha reta (desejo → excitação → orgasmo → resolução), como os modelos tradicionais sugeriam. É mais um ciclo — e o desejo pode não ser o ponto de partida.

Basson observou que muitas mulheres começam num estado sexualmente neutro. A motivação para iniciar a atividade sexual pode vir do desejo de intimidade, de conexão emocional, ou simplesmente de uma abertura ao contacto. A excitação começa durante a atividade — e é a excitação que desperta o desejo, não o contrário. É o que se chama de desejo responsivo, por oposição ao desejo espontâneo.

Isto é importante porque muitas mulheres pensam que há algo de errado por “não terem vontade” antes de começar. Não há. O desejo responsivo é uma variação normal da resposta sexual feminina — não uma disfunção.

Quando procurar ajuda

A anorgasmia primária — nunca ter tido um orgasmo apesar de estimulação adequada — estima-se que afete cerca de 5% a 10% das mulheres. No entanto, dificuldades orgásmicas situacionais são muito mais comuns, afetando entre 10% e 40% das mulheres em algum momento da vida. Se esta dificuldade te causa sofrimento, vale a pena conversar com um profissional. Um sexólogo, um ginecologista ou um psicólogo especializado em saúde sexual podem ajudar a identificar a causa — seja ela física, psicológica ou relacional — e propor estratégias concretas.

O que pode ajudar

Autoconhecimento através da masturbação

O caminho mais direto para saber o que te dá prazer é experimentar contigo mesma. Sem pressão de performance, sem expectativas alheias, sem pressa. A masturbação não é um substituto do sexo a dois — é o laboratório onde aprendes a linguagem do teu corpo.

Se nunca experimentaste ou queres explorar mais, estamos a preparar um guia completo sobre masturbação feminina. Subscreve a newsletter para saber quando sair.

Comunicação

O estudo de Frederick encontrou que as mulheres que reportam orgasmos mais frequentes fazem algo simples: pedem o que querem. Parece óbvio, mas é surpreendentemente difícil — especialmente numa cultura que ensinou as mulheres a priorizar o prazer do parceiro.

Alguns enquadramentos que podem ajudar: “Gosto quando fazes...”, “Podes experimentar...”, “Mais disto”, “Mais devagar / mais rápido”. Não precisa de ser uma conversa solene. Pode ser uma frase durante o momento, um gesto, um guiar de mão.

Expandir o guião sexual

Sexo oral, estimulação manual, brinquedos — nada disto é “preliminar”. É sexo. Se a penetração funciona para ti, ótimo. Se não é o que te leva ao orgasmo, isso não torna o sexo menos válido ou menos completo.

Lembra-te da taxa de orgasmo das mulheres lésbicas: 86%. O que acontece quando o guião não está centrado na penetração? O orgasm gap praticamente desaparece. Não é preciso mudar de orientação sexual para aprender com isto — basta mudar de guião.

Presença e mindfulness

O estudo belga que mencionámos — de Adam e colegas, publicado na Sexual and Relationship Therapy — mostrou que as mulheres orgásmicas têm significativamente mais capacidades de mindfulness durante o sexo do que as mulheres anorgásmicas. O mindfulness sexual explicou 54% da variabilidade no distress sexual.

Na prática, isto significa: foca-te no que estás a sentir, não no que “devias” sentir. Repara nas sensações sem as julgar. Se a mente vaguear — e vai vaguear — traz-a de volta com gentileza. Mesmo exercícios simples de respiração antes ou durante a atividade sexual podem fazer diferença.

O objetivo não é “meditar para ter orgasmos”. É sair da tua cabeça e entrar no teu corpo. A ironia é que quanto menos tentares forçar o orgasmo, mais provável ele se torna.

Brinquedos que podem fazer a diferença

Um vibrador não é uma muleta. É uma ferramenta — e uma particularmente eficaz para quem quer explorar o orgasmo clitoriano. A vibração fornece um tipo de estimulação que os dedos ou a língua não conseguem replicar, e para muitas mulheres é a forma mais direta de chegar ao orgasmo.

Se nunca experimentaste, há uma categoria que vale a pena conhecer: os estimuladores clitorianos de sucção (como o Satisfyer Pro ou o Womanizer). Em vez de vibração convencional, usam ondas de pressão de ar que simulam uma sensação de sucção à volta do clitóris. Muitas mulheres que nunca tinham tido orgasmo — ou que achavam difícil — reportam que este tipo de estimulação mudou a experiência por completo.

Vibradores externos, vibradores internos, brinquedos desenhados para estimulação simultânea — as opções são muitas, e não há uma resposta universal. O que importa é que o material seja seguro (silicone de grau médico, ABS, aço inoxidável) e que experimentes sem vergonha.

Estamos a preparar um guia completo de vibradores — com análises detalhadas e comparações para diferentes necessidades. Subscreve a newsletter para saber quando sair. E se usares brinquedos, não te esqueças do lubrificante — faz diferença em qualquer tipo de estimulação.

Perguntas frequentes

Todas as mulheres conseguem ter orgasmo?

A maioria sim, mas não é universal. A anorgasmia primária (nunca ter tido um orgasmo) estima-se que afete 5% a 10% das mulheres, embora dificuldades orgásmicas situacionais sejam muito mais comuns (10-40%). As causas podem ser físicas (medicação, condições hormonais), psicológicas (ansiedade, trauma) ou relacionais (falta de estimulação adequada, dificuldade de comunicação). Para quem experiencia esta dificuldade, ajuda profissional (sexologia, terapia) pode fazer uma diferença significativa.

Quanto tempo demora a ter um orgasmo?

Não há um tempo “normal”. Estudos sugerem que a maioria das mulheres precisa de 10 a 20 minutos de estimulação eficaz, mas a variação é enorme — há quem leve 5 minutos e quem precise de 40. O relógio é o pior companheiro de cama. Se tirares a pressa e te focares na sensação em vez do destino, o tempo torna-se irrelevante.

O orgasmo vaginal é melhor do que o clitoriano?

Não. Esta hierarquia vem de Freud e não tem qualquer base científica. Fisiologicamente, o orgasmo é a mesma resposta — contrações rítmicas do pavimento pélvico, libertação de neurotransmissores, sensação de prazer. O que muda é a via sensorial que o desencadeia, não a qualidade do resultado. Nenhum orgasmo é superior a outro.

Porque é que consigo ter orgasmo sozinha mas não com parceiro/a?

É extremamente comum. As razões possíveis incluem: diferença no tipo de estimulação (a masturbação envolve tipicamente estimulação clitoriana direta), ansiedade de desempenho, dificuldade em comunicar o que funciona, ou um guião sexual centrado na penetração que não inclui a estimulação de que precisas. O autoconhecimento mais comunicação costuma ser a ponte que resolve — pedir o que queres, guiar a mão, mostrar como gostas.

Fingir o orgasmo é prejudicial?

Cria um ciclo vicioso: o/a parceiro/a pensa que algo funciona quando não funciona, e continua a fazer o mesmo. Com o tempo, a frustração acumula-se para quem finge e a oportunidade de aprendizagem perde-se para quem é enganado/a. Comunicação honesta serve melhor ambas as pessoas a longo prazo.

Dito isto, ninguém deve ser envergonhado/a por ter fingido. É um sintoma de uma cultura que coloca pressão sobre as mulheres para “chegarem lá” — como se o orgasmo fosse uma obrigação e não uma possibilidade. Mudar essa cultura começa por normalizar a honestidade.

O orgasmo não é o destino

Se há algo que a ciência — e a experiência de milhares de mulheres — nos ensina é isto: o prazer é mais vasto do que o orgasmo. E, paradoxalmente, quanto menos transformamos o orgasmo num objetivo, mais facilmente ele aparece.

A verdadeira revolução não é uma técnica, uma posição ou um brinquedo. É expandir o que conta como “sexo de verdade” para além da penetração. É comunicar sem vergonha. É conhecer o teu corpo — não porque alguém te disse como ele devia funcionar, mas porque tu exploraste e descobriste.

O prazer é um direito, não um luxo. E a tua experiência não precisa de caber em nenhuma categoria, nenhum mito, nenhuma expectativa.

Nos próximos meses, vamos publicar guias sobre masturbação feminina, zonas erógenas e comunicação sexual — sempre com a mesma abordagem: ciência, honestidade e zero tabus. Subscreve a newsletter para não perderes nada.

O orgasmo não é um teste que se passa ou se falha. É uma possibilidade — e o caminho até lá é tão importante quanto chegar.
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