Saúde Sexual

Anorgasmia

A anorgasmia é a dificuldade persistente ou ausência de orgasmo apesar de estimulação adequada, uma das disfunções sexuais femininas mais comuns, com causas médicas, farmacológicas e psicossociais.

A anorgasmia - do grego "an" (sem) + "orgasmos" - designa a dificuldade persistente, o atraso ou a ausência completa de orgasmo apesar de estimulação sexual suficiente e de excitação subjetiva. É considerada uma das disfunções sexuais mais prevalentes em mulheres: estudos estimam que entre 10% e 15% das mulheres nunca experienciaram um orgasmo ao longo da vida, e que até 40% relatam insatisfação com a frequência ou intensidade dos seus orgasmos em algum momento.

A classificação clínica distingue quatro tipos. A anorgasmia primária refere-se a mulheres que nunca atingiram o orgasmo em qualquer circunstância. A anorgasmia secundária desenvolve-se em mulheres que anteriormente atingiam o orgasmo mas deixaram de conseguir. A anorgasmia situacional é o tipo mais comum: a mulher é orgásmica em algumas circunstâncias (por exemplo, durante a masturbação) mas não noutras (por exemplo, durante a penetração com parceiro). A anorgasmia generalizada implica ausência de orgasmo em todas as circunstâncias.

As causas são multifatoriais. A nível farmacológico, os antidepressivos da classe dos ISRS (inibidores seletivos da recaptação da serotonina) são a causa medicamentosa mais frequente de anorgasmia. Outros medicamentos implicados incluem anticoncetivos combinados (em algumas mulheres), anti-hipertensores, antiepilépticos e antipsicóticos. A nível médico, condições como a esclerose múltipla, lesões da medula espinal, diabetes mal controlada e alterações hormonais pós-menopáusicas podem comprometer a via neural do orgasmo.

A nível psicológico, a ansiedade de desempenho é um dos obstáculos mais frequentes ao orgasmo. O orgasmo requer uma redução da atividade do lobo pré-frontal - a região do cérebro associada ao controlo e à automonitorização. Quando a pessoa está demasiado "na cabeça", este processo de "desligar" o córtex pré-frontal fica comprometido. Fatores como historial de trauma sexual, vergonha corporal, crenças negativas sobre a sexualidade e comunicação deficiente com o parceiro são igualmente determinantes.

O tratamento da anorgasmia tem a sua base de evidência mais sólida na masturbação dirigida, uma abordagem terapêutica estruturada que permite à mulher explorar o próprio corpo sem pressão, aprender o que funciona para si e transferir progressivamente esse conhecimento para contextos partilhados. A terapia cognitivo-comportamental e a terapia sexual de casal mostram eficácia em casos de causa psicossocial. O uso de vibrador com estimulação clitoridiana direta é recomendado por sexólogos clínicos como ferramenta terapêutica de primeira linha.

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