Prazer

Orgasmo

O orgasmo é uma resposta neuromuscular involuntária de intenso prazer, acompanhada por contrações rítmicas pélvicas e uma cascata de neurotransmissores no cérebro.

O orgasmo é frequentemente descrito como o pico da excitação sexual, mas a sua realidade fisiológica é muito mais rica e complexa do que essa descrição sugere. O sexologista Alfred Kinsey definiu-o, em 1953, como "a descarga explosiva de tensões neuromusculares no auge da resposta sexual". Mais rigorosamente, trata-se de uma resposta reflexa do sistema nervoso autónomo, mediada por mecanismos cerebrais, espinais e periféricos que atuam em coordenação.

A nível fisiológico, o orgasmo caracteriza-se por contrações rítmicas involuntárias dos músculos pélvicos - incluindo o pubococcígeo, o bulboesponjoso e o isquiocavernoso - com intervalos de aproximadamente 0,8 segundos. Estas contrações afetam também o útero e, por vezes, o esfíncter anal. Em média, o orgasmo feminino dura entre 13 e 51 segundos, uma duração significativamente superior à do orgasmo masculino (10 a 30 segundos em média). A frequência cardíaca pode atingir 180 pulsações por minuto durante o pico orgásmico.

A nível neurológico, o orgasmo envolve uma atividade cerebral extraordinariamente coordenada. Estudos de neuroimagem mostram que, durante o orgasmo, o lobo pré-frontal reduz a sua atividade - o que pode explicar a sensação de perda de controlo e a suspensão temporária do julgamento crítico. Simultaneamente, entram em ativação intensa o núcleo accumbens (centro da recompensa), a amígdala (processamento emocional) e o hipotálamo, que desencadeia a libertação de oxitocina - cujos níveis quadruplicam durante o orgasmo - e dopamina.

O modelo clássico de Masters e Johnson (1966) descreve quatro fases da resposta sexual: excitação, plateau, orgasmo e resolução. Modelos mais recentes, como o de Rosemary Basson (2001), reconhecem que a resposta sexual feminina é frequentemente mais cíclica e contextual - com o desejo a poder surgir durante (e não apenas antes de) a excitação, e com fatores emocionais e relacionais a desempenhar um papel central.

Um dos maiores equívocos culturais em torno do orgasmo feminino é a hierarquização entre orgasmos "vaginais" e "clitoridianos". A investigação anatómica contemporânea sugere que esta dicotomia é artificial: o orgasmo desencadeado pela penetração vaginal envolve, em grande medida, a estimulação indireta das estruturas internas do clítoris. Estudos consistentes mostram que entre 70% e 80% das mulheres não atingem o orgasmo exclusivamente através da penetração, necessitando de estimulação clitoridiana direta. Reconhecer este facto não é uma limitação - é simplesmente a realidade anatómica.

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