Anatomia
Ponto G
O Ponto G é uma zona da parede vaginal anterior associada ao prazer intenso em algumas mulheres, mas a ciência ainda debate se constitui uma estrutura anatómica distinta ou um complexo de estruturas sobrepostas.
O termo "Ponto G" foi popularizado em 1982 pelo livro "The G-Spot and Other Recent Discoveries About Human Sexuality", da autoria de Alice Kahn Ladas, Beverly Whipple e John Perry. O nome, no entanto, homenageia o ginecologista alemão Ernst Gräfenberg, que em 1950 descreveu uma zona erógena na parede anterior da vagina, associada ao prazer e à ejaculação feminina. Desde então, a existência, a localização e a natureza anatómica desta zona permanecem alvo de debate científico intenso.
Em termos de localização, o Ponto G é geralmente descrito como uma zona na parede vaginal anterior (a parede mais próxima do abdómen), a cerca de 5 a 8 centímetros da entrada da vagina. Ao toque, pode apresentar uma textura ligeiramente diferente do tecido vaginal circundante, por vezes descrita como rugosa ou esponjosa, especialmente durante a excitação. Uma revisão sistemática publicada no Journal of Sexual Medicine em 2021 concluiu que "nenhuma estrutura consistente e única compatível com um Ponto G distinto foi identificada".
A interpretação anatómica mais aceite atualmente é a do complexo clitorouretrovaginal (CUV), proposta em 2013 por investigadores italianos. Este modelo sugere que o que se designa popularmente de Ponto G não é uma estrutura anatómica isolada, mas sim a zona de confluência entre a raiz interna do clítoris, a uretra e as glândulas de Skene (também chamadas de "próstata feminina"). Durante a excitação, o tecido erétil do clítoris ingurgita e comprime a parede vaginal anterior por dentro, tornando essa zona mais sensível ao toque externo.
As glândulas de Skene, localizadas na uretra proximal, estão funcionalmente ligadas a esta área. São homólogas à próstata masculina e produzem secreções que podem ser libertadas durante a estimulação intensa - o que, segundo a investigação disponível, está relacionado com o fenómeno da ejaculação feminina. Esta associação anatómica reforça a ideia de que o Ponto G é melhor compreendido como parte de um sistema de estruturas interligadas do que como um órgão independente.
Para a saúde sexual, o que importa reconhecer é que a sensibilidade desta zona varia consideravelmente entre indivíduos. Para algumas mulheres, a estimulação da parede vaginal anterior provoca prazer intenso e pode desencadear o orgasmo; para outras, a sensação é neutra ou até desconfortável. Nenhuma das experiências é mais "correta" do que a outra - o corpo humano apresenta uma variabilidade anatómica e funcional legítima.