Prazer

Desejo Responsivo

Desejo responsivo é o tipo de desejo sexual que surge em resposta a um estímulo ou contexto propício, em contraste com o desejo espontâneo que aparece "do nada". A investigação indica que é extremamente comum, especialmente em mulheres, e completamente normal.

Durante décadas, o modelo dominante de desejo sexual assumia que o desejo precede sempre a excitação. Este modelo, chamado desejo espontâneo, é aquele que domina representações culturais do sexo. A sexóloga Emily Nagoski popularizou o conceito alternativo de desejo responsivo, que descreve situações em que o desejo emerge em resposta a estímulos eróticos - um toque, uma atmosfera propícia, uma fantasia partilhada - e não antes deles. Ambos os padrões são normais.

A investigadora canadiana Rosemary Basson publicou em 2000 um modelo circular da resposta sexual feminina. Basson observou que muitas mulheres, especialmente em relações de longa duração, partem de um estado de neutralidade e só desenvolvem desejo genuíno depois de iniciada a estimulação. O seu modelo incorpora motivações não sexuais para o sexo - proximidade emocional, vínculo com o parceiro - que podem ser o impulso inicial.

A neurociência sexual descreve um sistema de excitação sexual (SES) e um sistema de inibição sexual (SIS). Para pessoas com SIS muito ativo - o que é mais comum em mulheres - o desejo espontâneo é raro não porque haja algo errado, mas porque o sistema de inibição está muito sensível ao contexto. Criar condições de segurança, conforto e estimulação adequada ativa o SES e permite o surgimento do desejo responsivo.

O desejo responsivo é frequentemente mal interpretado como "falta de desejo". Muitas mulheres chegam a consultas preocupadas porque "nunca sentem vontade espontânea". Quando compreendem que o seu tipo de desejo é responsivo, e não ausente, a perspetiva muda radicalmente. Iniciar a atividade sexual num estado de neutralidade receptiva, e deixar que o desejo emerja durante, é uma estratégia válida e eficaz.

A investigação mostra uma clara associação entre a duração de uma relação e a diminuição do desejo espontâneo. Isto não indica incompatibilidade: indica uma transição natural do tipo de desejo. Compreender esta transição é uma das ferramentas mais poderosas de sustentabilidade sexual nas relações.

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