Saúde Sexual
Disfunção Sexual Feminina
Disfunção sexual feminina engloba perturbações persistentes da resposta sexual que causam sofrimento: transtornos do desejo, da excitação, do orgasmo e dor genitopélvica. Afeta até 45% das mulheres e tem tratamentos eficazes.
O DSM-5 classifica as disfunções sexuais femininas em: Transtorno do Interesse/Excitação Sexual Feminina (diminuição de desejo e/ou excitação); Transtorno do Orgasmo Feminino (dificuldade persistente em atingir o orgasmo); Transtorno da Dor Genitopélvica/Penetração (inclui dispareunia e vaginismo); e perturbações de aversão sexual. O diagnóstico requer que os sintomas sejam persistentes, causem sofrimento significativo, e não sejam explicados por outro problema médico.
Estima-se que 40 a 45% das mulheres experienciem alguma forma de disfunção sexual em algum momento da vida. É sistematicamente subdiagnosticada: muitas mulheres não falam sobre os seus problemas sexuais por vergonha ou por assumirem que é "normal". Os profissionais de saúde frequentemente também não perguntam. Este silêncio bilateral perpetua o sofrimento.
As causas seguem um modelo biopsicossocial: fatores biológicos (alterações hormonais, condições médicas, efeitos de medicamentos SSRI), psicológicos (depressão, ansiedade, trauma sexual, imagem corporal negativa) e relacionais/socioculturais (qualidade da relação, comunicação, normas culturais). Tratamento eficaz requer identificação da interação entre estes fatores.
O tratamento é diversificado: psicoterapia e terapia sexual (especialmente TCC e mindfulness), fisioterapia pélvica para dor genitopélvica, terapia hormonal quando há componente hormonal identificada. Nem toda a variação da resposta sexual é disfunção. O critério essencial é o sofrimento: sem sofrimento, não há disfunção clínica. O objetivo é ajudar cada mulher a ter a vida sexual que deseja.