Saúde Sexual

Dispareunia

Dispareunia é o termo clínico para a dor persistente ou recorrente sentida antes, durante ou após a atividade sexual. Afeta uma em cada cinco mulheres em algum momento da vida e tem causas físicas, hormonais e psicológicas tratáveis.

Dispareunia define-se como dor genital recorrente associada à atividade sexual, podendo manifestar-se na vulva, vagina, períneo ou região pélvica profunda. Estima-se que entre 10 a 20% das mulheres em idade reprodutiva a experienciem em algum momento da vida. O DSM-5 e o CID-11 enquadram-na no espectro do "Transtorno de Dor Genitopélvica/Penetração", reconhecendo que a dor superficial (na entrada vaginal) e a dor profunda (na pélvis) têm mecanismos distintos.

As causas físicas são variadas e frequentemente sobrepostas. A hipoestrogenemia - queda nos níveis de estrogénio que ocorre na menopausa, no pós-parto e durante a amamentação - provoca atrofia do epitélio vaginal, redução da lubrificação e diminuição da elasticidade tecidual. Condições ginecológicas como endometriose, doença inflamatória pélvica, cistos ováricos e vulvodínia são causas frequentes. Infeções por fungos, bactérias ou ISTs também podem inflamar os tecidos genitais e causar dor.

A dor não é exclusivamente física: fatores psicológicos têm um papel significativo tanto no desenvolvimento como na manutenção da dispareunia. A ansiedade, o stress pós-traumático, a depressão e o medo antecipado da dor criam um ciclo que tensiona os músculos pélvicos, reduz a excitação e amplifica os sinais dolorosos. O sistema nervoso central processa a dor genitopélvica de forma semelhante à dor crónica: com sensibilização central, o tecido pode tornar-se hipersensível mesmo sem lesão ativa.

O tratamento eficaz é quase sempre multidisciplinar. Dependendo da causa, pode incluir fisioterapia do pavimento pélvico, terapia hormonal local, lubrificantes à base de água ou silicone, antibióticos ou antifúngicos para infeções, e psicoterapia ou terapia sexual. A dessensibilização progressiva com dilatadores vaginais, guiada por fisioterapeuta, é altamente eficaz para formas superficiais.

Um equívoco muito comum é acreditar que sentir dor durante o sexo é "normal" ou inevitável. Não é. A dor é um sinal que o corpo envia e que merece avaliação clínica, não tolerância silenciosa. Consultar um ginecologista ou especialista em saúde sexual é o primeiro passo - um diagnóstico correto abre caminho a tratamentos eficazes.

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